TJ diz que depende de "esmola" para dar reajuste
FERNANDO GALLO
DE SÃO PAULO
O presidente da comissão de negociação salarial do TJ-SP (Tribunal de Justiça) de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Malheiros, criticou, em entrevista à Folha, o empurra-empurra entre o governo e o tribunal sobre a responsabilidade de negociação com os servidores do Judiciário em greve.
"O tribunal diz que é problema do governo, e o governo, que isso é entre Judiciário e servidores. Fica nessa: 'não é comigo nem é com você'", disse o desembargador.
Malheiros avaliou que um dos motivos pelos quais o TJ-SP não consegue resolver o problema é a falta de autonomia financeira da corte.
"Estamos sempre com chapéu na mão, pedindo uma esmolinha pelo amor de Deus, presos aos humores do Executivo. Tá mais bem-humorado, sai; não tá bem-humorado, não sai." Ele afirmou que o o TJ "deveria ter tomado anteriormente uma posição mais dura em relação ao Executivo".
O desembargador disse não ver luz no fim do túnel que acabe com a greve.
Os grevistas fecharam ontem, pelo terceiro dia útil seguido, a maior parte dos cartórios do Fórum João Mendes, na região central de São Paulo, obrigando o TJ a suspender novamente os prazos processuais. A suspensão vale também hoje.
O tribunal suspendeu por 15 dias corridos, o serviço de solicitação e entrega de certidões cíveis no fórum.
Durante todo o dia, servidores grevistas permaneceram nas portas do prédio para impedir que os colegas entrassem para trabalhar.
Uma audiência de conciliação entre os servidores e o TJ-SP está marcada para depois de amanhã, às 10h, mas as possibilidades de acordo são mínimas.
Os grevistas não abrem mão do pedido de 20,16% de reposição salarial e o TJ já avisou que não negocia enquanto durar a greve.
Folha de SP
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