sábado, 26 de junho de 2010

Paulo França é a favor de reivindicação de servidores do TJSP


Em greve há 50 dias, cerca de 700 servidores do judiciário de São Paulo realizaram manifestação em frente ao Fórum João Mendes, na região central da capital, na manhã desta quarta-feira (16/06). O deputado federal Márcio França foi ao local para oferecer apoio aos trabalhadores, que reivindicam reposição salarial de 20,16%, além de melhorias nas condições de trabalho.

Márcio França foi funcionário do Judiciário durante 11 anos, exercendo a função de Oficial de Justiça em São Vicente. "Acho a luta justa. Os servidores do judiciário merecem ser valorizados e suas reivindicações devem ser atendidas", falou o deputado para os presentes.

A reclamação dos grevistas é que o Poder Judiciário não respeita o reajuste desde a última greve da categoria, em 2004.

Os sindicalistas afirmam que nenhum representante do judiciário negociou com a categoria nestes quase dois meses de greve. De acordo com os servidores, cerca de 20 mil trabalhadores aderiram à paralisação.

Confira o discurso de França na íntegra:

Senhor Presidente, senhora e senhores deputados,

Compareço a esta Tribuna para chamar atenção para um assunto que tem causado uma constante e crescente preocupação: a greve dos servidores públicos do Poder Judiciário.

A minha preocupação também fervilha, Sr. Presidente, quando sei que milhares e milhares de cidadãos brasileiros estão, neste momento, preocupados com o desfecho dos seus processos. Não é demais repisar que um dos grandes gargalos do processo brasileiro é precisamente a demora desmesurada entre a propositura da ação e a entrega do bem da vida – seja ele um patrimônio, no processo civil; seja ele a liberdade no processo penal ou seja ele os créditos trabalhistas no processo do trabalho – vindicado pela parte. E a mesma preocupação simplesmente vai aos vapores quando sei exatamente que, dentro de uma teoria realista do processo, para utilizar-me de empréstimo da filosofia anglosaxã de fazer processo, todo e qualquer processo hodierno é a transposição do drama pessoal vivido pelos cidadãos para uma arena presidida pelo estado-juiz.

De fato, para o servidor que está sendo processado por improbidade administrativa, para o empresário cioso de seus deveres que foi parar pela primeira vez na Justiça do Trabalho ou para o cidadão que não pode continuar com a construção de sua casa porque esta encontra-se embargada pelo Poder Público, qualquer demora a mais, por mínima que seja, só vem de encontro ao aumento do desespero das pessoas que, ao revés de quererem fazer justiça pelas próprias mãos, esperam a justa solução dos conflitos de interesses através do processo.
Processo que, reconheço – e nisto posso estar equivocado –, evoluiu desde que Bártolo, ao glosar o Direito Processual Romano, dizia que o processo é o conjunto de atos de três pessoas: autor, juiz e réu. Com efeito, ainda dentro de uma visão realista, não posso deixar de concluir que o processo, hoje, não é mais apenas o ato conjunto desses três atores, pois colocaria mais um: o servidor da justiça, o técnico judiciário, seja qual for o nome que receba. Realmente, sem esse trabalhador, dificilmente, o processo cumpriria com o seu escopo de compor a lide através de uma sentença justa que espelhe a realidade das provas trazidas pelas partes dentro de um processo de duração razoável. O trabalhador do Judiciário, salvo erro totalmente escusável, Sr. Presidente, é, de fato, um agente efetivo do processo moderno.


É por isso, Sr. Presidente, que nós apoiamos integralmente as reivindicações dos grevistas. Sabemos que os seus salários estão defasados em relação aos aumentos já conseguidos pelos juízes e não é equitatível que, dentro de uma mesma organização, haja diferenças tão gritantes e abismais de remuneração. Até porque, Sr. Presidente, sabemos que todos os atos processuais são feitos pelos assessores e referendados pelo juiz. Portanto, não há porque não se reconhecer a importância desses trabalhadores para todos os envolvidos no processo, ao juiz, ao judiciário, ao estado e ao cidadão.


Espero, então, Sr. Presidente, que haja bom senso na resolução do problema e que o Judiciário possa encontrar-se novamente a postos de cumprir com os seus altos misteres. Esta Casa, aliás, Sr. Presidente, tem procurado resolver o problema o mais rapidamente possível, pois, no dia de hoje, a Comissão de Trabalho (CTASP) aprovou o PL 6613/2009, que cuida precisamente do plano de cargos e salários dos trabalhadores do Poder Judiciário. Assim, Sr. Presidente, espero sinceramente que haja, o mais rapidamente possível, a conscientização de que o País vive um outro momento, um momento em que é preciso confiar nas instituições, sobretudo, no Parlamento, como síntese da vontade nacional, e fazer do processo, mais do que um abscesso, um meio eficaz e de duração razoável de resolução dos dramas pessoais que hão de ser resolvidos pelo Poder Judiciário. Para concluir, gostaria de prestar toda a minha solidariedade ao movimento grevista.

Muito obrigado, Sr. Presidente e Sras. e Srs. Parlamentares.

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