
por Sylvio Micelli / ASSETJ
Aconteceu nesta quarta (07), mais uma Assembleia Geral dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj) na Praça João Mendes, centro da Capital. Foi a décima-primeira desde a greve iniciada em 28 de abril.
Por volta do meio-dia, representantes das Entidades do Judiciário, desembargadores e juizes do TJ-SP reuniram-se no Palácio da Justiça na tentativa de formular uma contraproposta aos 20,16% pleiteado pelos servidores. Foi em vão. Mais uma vez mostrando intransigência e que nada tem a oferecer, exceto promessas, o TJ-SP nada faz para resolver uma greve que já ultrapassa os dois meses e que caminha, a passos largos, para se transformar na maior greve da história da categoria ultrapassando a marca de 91 dias de 2004. Considerando-se a nova Assembleia Geral marcada para o dia 14, já serão 78 dias de paralisação.
Greve continua por unanimidade
A Assembleia teve início com a manifestação de representantes de prédios e comarcas. Em seguida falaram os deputados estaduais Carlos Gianazzi (PSOL) e Major Olímpio Gomes (PDT), em especial sobre o pedido de CPI do Judiciário que já contém 19 assinaturas.
Quando os representantes retornaram, o primeiro a se pronunciar foi o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), José Gozze. Ele parabenizou os manifestantes pela garra e manutenção do movimento e afirmou que “nem tinha o que dizer” diante do nada apresentado pelo TJ-SP. Os outros representantes manifestaram-se no mesmo sentido e após os informes dados, a decisão foi unânime mais uma vez. A praça deliberou pela continuidade da greve. Outras propostas foram aprovadas (veja lista abaixo).
Repressão policial num ato ordeiro. A “promessa” de Viana Santos foi cumprida

Ao final da Assembleia, a categoria realizou um ato que consistia em “dar um abraço” no Fórum João Mendes. Tudo de forma pacífica e tranquila sendo que a maioria dos manifestantes era composta por mulheres, inclusive com filhos, quando a Polícia Militar usando gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha e cacetetes reprimiu o ato sem que tivesse havido qualquer provocação por parte dos servidores.
A PM chegou a informar que um policial havia sido ferido por uma pedrada, mas isso não foi confirmado. Boa parte da imprensa buscou o nome do policial, sem que o Tribunal de Justiça tenha divulgado. O TJ, por meio do seu site, divulgou uma nota com informações evasivas e que não condizem com a verdade dos fatos. Apresenta, inclusive, uma foto minúscula de pedras amontoadas num canto da praça.
Do lado dos servidores houve muitos feridos pelas balas de borracha e por estilhaços das bombas de gás lacrimogêneo. O filho do cinegrafista Rubens Chinaglia, que gravava a Assembleia para o programa Cidadania & Serviço Público da Federação das Entidades de Servidores Públicos do Estado de São Paulo (Fespesp), teve o peito “rasgado” por uma bala de borracha. O cinegrafista, que permaneceu gravando toda a atitude covarde da polícia, mesmo com o filho ferido afirmou que a agressão começou “do nada” e que a história da pedra atirada num policial é “fantasia”. Chinaglia disse ainda que os policiais estavam “nervosos” e que “coisas piores só não aconteceram porque eu estava com uma câmera na mão e eles ficaram com medo das imagens”. Toda a agressão está gravada e, obviamente, será usada pelos meios judiciais cabíveis. O material será exibido no programa do próximo domingo.
A presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo (Aojesp), Yvone Barreiros Moreira foi internada depois de ter sido alvejada por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo e pisoteada pela correria que se instalou na Praça João Mendes diante da selvageria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Até o final da noite de ontem, o presidente da Assetj, José Gozze acompanhou diversos servidores que registraram Boletim de Ocorrência no 1º DP de São Paulo. Gozze lamentou a truculência da polícia. “É triste ver que a PM, ao invés de buscar bandidos, bate em servidores desarmardos. Ainda que tivesse sido arremessada uma pedra contra um policial, e isso não é verdadeiro, a brutalidade não se justifica. Mulheres foram arrastadas, pessoas agachadas receberam golpes de cacetetes. Um absurdo”, criticou.
Enfim, a “promessa” de Antonio Carlos Viana Santos, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo foi cumprida. Relembre o primeiro parágrafo da entrevista que ele deu ao jornalista Frederico Vasconcelos, no jornal “Folha de São Paulo” de 18 de junho passado na matéria intitulada “Grevistas desejam ter um mártir, diz presidente do TJ-SP”: “O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Viana Santos, prevê confrontos entre grevistas e a Polícia Militar: “Eles estão loucos para ter heróis e mártires. Estão provocando”.
Foi uma ameaça velada. Pois bem. Mesmo sem provocação a Polícia Militar do TJ-SP, vinculada à presidência do TJ-SP, agrediu os servidores.
E o grito da Praça João Mendes ecoa: “A greve continua. Viana, a culpa é sua”!
Confira as propostas aprovadas na Assembleia Geral

1. Continuidade da Greve
2. Realização de nova Assembleia na próxima quarta, dia 14 de julho, às 14 horas na Praça João Mendes
3. Realização de Ato Público em Brasília em data a ser informada pelas Entidades com possibilidade de reunião junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
4. Fortalecimento e manutenação das assembleias regionais
5. Fortalecimento e manutenação das ações na Capital
6. Divulgação de todas as propostas aprovadas nos sites das Entidades
Foi ainda informado que as reuniões do Comando de Greve, que acontecem todas as quartas-feiras, passarão a ter início às 9 horas em local a ser divulgado. Manifestantes que não participaram do “abraço” ao Fórum João Mendes deram seu apoio aos colegas da Justiça Federal que fizeram ocupação do prédio central do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na Rua Francisca Miquelina, na Capital.
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