quinta-feira, 29 de julho de 2010

Comércio sofre com greve da Justiça


Nelson Antoine/AE

Comércio sofre com greve da Justiça

Várias entidades, entre elas a ACSP e o Secovi, levaram ao presidente do Tribunal de Justiça a preocupação com os transtornos provocados pela paralisação.
Ivan Ventura - 28/7/2010 - 21h02

Greve paralisou um milhão de processos no Tribunal de Justiça de São Paulo.Preocupados com a greve dos servidores da Justiça de São Paulo que chega hoje ao 93º dia, representantes de importantes entidades do Estado estiveram reunidos na última segunda-feira com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ-SP), desembargador Antonio Carlos Viana Santos. Na reunião, Viana Santos prometeu encaminhar a grande preocupação das entidades a respeito da greve ao governador Alberto Goldman.

No encontro estiveram presentes representantes de entidades como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Secovi (o Sindicato da Habitação) e Sescon (Sindicato dos Contabilistas do Estado), entre outras. O encontro foi intermediado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo–, Luiz Flávio D' Urso.

Na reunião, Viana Santos esteve reunido por quase duas horas com os representantes. Estes relataram suas preocupações quanto à continuidade do protesto, que levou à paralisação de pouco mais de 1 milhão de processos, até o momento, nesse que é o maior Tribunal de Justiça do País, pelo menos em volume de processos em andamento.

Além disso, as entidades levaram o apoio a Viana Santos frente ao impasse com os mais de 45 mil servidores do Judiciário em greve.

Prejuízos – O representante da Associação Comercial no encontro foi o superintendente jurídico da entidade, Carlos Orcesi, que falou sobre o encontro no prédio do Tribunal de Justiça. "O comerciante e a sociedade civil estão sendo prejudicados com a greve. Por exemplo: uma pessoa com processo por ação de alimentos não tem uma posição da Justiça. É preciso resolver esse impasse o quanto antes", disse.

Segundo Orcesi, o presidente do TJ afirmou que os três poderes paulistas devem se reunir em breve para discutir o assunto. No entanto, na opinião de Orcesi, a questão é bem delicada e não deve ter um desfecho a curtíssimo prazo. "Não está muito certa essa solução", afirmou.

Os servidores do Judiciário paulista entraram em greve no dia 28 de abril. Desde essa data, a imensa maioria dos tribunais de São Paulo está com suas atividades praticamente paradas. Entre outras reivindicações, os grevistas pedem aumento de 20,16% no salário.

Recentemente, o TJ propôs encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa com o reajuste de 4,77%, além de incluir na proposta orçamentária de 2011 do Estado a reposição salarial de 20,16% exigida pelos profissionais. Os servidores não aceitaram a proposta.

Com o passar dos dias, juízes e desembargadores disseram que a greve tinha conotação política, com o objetivo de antecipar a disputa eleitoral nas esferas estadual e federal. Os manifestantes dão de ombros para a acusação e realizam inúmeros atos públicos.

Ocupação – O mais célebre desses atos foi a ocupação do Fórum João Mendes, na Capital paulista, que começou no dia 9 de junho e durou 44 horas. Ela foi organizada por representantes da entidade Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo (Aojesp).

Durante essas 44 horas, advogados e cidadãos foram impedidos de seguirem até as varas criminais e cíveis instaladas no fórum. Audiências foram canceladas e muitos dos advogados aguardaram nos corredores o término da ocupação. De nada adiantou essa espera.

Os grevistas decidiram sair voluntariamente do prédio, sem a necessidade de uma ocupação do edifício público pelo policiamento de choque da Capital. No início da ocupação estavam no interior do prédio 103 pessoas. O ato terminou com 60 grevistas e alguns familiares no local.

Fonte; Jornal Diário do Comércio

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